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| Publicação no Diario Oficial de Manaus, comprovando que a obra esta utilizando recursos do financiamento do Banco do Brasil |
quarta-feira, 2 de abril de 2025
BANCO DO BRASIL FINANCIA OBRA DA SEMMAS QUE DESTROI ÁREA VERDE DO PARQUE DOS BILHARES EM MANAUS
sábado, 29 de março de 2025
IPAAM MULTA E MASSACRA AGRICULTORES FAMILIARES, MAS FAZ ESQUEMA PARA OBRA DA SEMMAS QUE DESTROI ÁREA VERDE NO PARQUE DOS BILHARES CONTINUAR (veja video)
Nos últimos meses, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) tem sido alvo de críticas severas por suas ações de fiscalização sobre os agricultores familiares. Muitos desses trabalhadores têm sido embargados, multados e até mesmo penalizados de forma drástica por infrações ambientais, muitas vezes relacionadas a práticas de cultivo ou uso de áreas de forma tradicional.
Essas penalidades têm um efeito devastador sobre aqueles que dependem da agricultura para sustentar suas famílias, criando um cenário de insegurança e resistência nas comunidades locais.
Entretanto, o que gera ainda mais indignação é a aparente contradição na atuação do IPAAM quando se trata de grandes empreendimentos.
Estranhamente o IPAAM deu parecer favorável e fez o desembargo ao projeto de grande porte, promovido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMMAS), que visa destruir uma área verde essencial no Parque dos Bilhares para construir sua sede de 4 andares, derrubar mais de 100 árvores, fazer estacionamento para mais de 100 carros e fazer arruamento dentro da área verde do Parque.
Este projeto da SEMMAS ameaça uma das últimas áreas verdes na área urbana de Manaus, com a conivência e apoio do IPAAM, o que levanta uma série de questionamentos sobre o papel das autoridades na proteção ambiental.
A LUTA DOS AGRICULTORES FAMILIARES
Os agricultores familiares, que sempre foram responsáveis por boa parte da produção de alimentos para as cidades, enfrentam uma pressão crescente.
O IPAAM, em sua função de regular a preservação ambiental, tem atuado com rigor em relação a estas famílias, muitas das quais, em situações de vulnerabilidade, não têm acesso à informação ou ao apoio necessário do poder público para adequação às normas ambientais.
Embargos e multas acabam por comprometer a subsistência de muitas dessas famílias e suas comunidades, recentemente um agricultor familiar foi multado em 98 mil reais pelo IPAAM, onde o mesmo fez desabafo pedindo ajuda ao governador Wilson Lima, veja video abaixo.
CONTRADIÇÃO NA LIBERAÇÃO DO PROJETO DA CONSTRUÇÃO DA SEDE DA SEMMAS EM ÁREA VERDE E O AUTOLICENCIAMENTO DA SEMMAS
Por outro lado, o projeto da SEMMAS, que visa a construção de um edifício de 4 andares, estacionamento para mais de 100 carros, corte de mais de 100 arvores e arruamento em uma área verde do Parque dos Bilhares, se dá sem a devida atenção aos impactos ambientais. A vegetação local, que é vital para a biodiversidade e equilíbrio ecológico, está sendo destruída em nome do desenvolvimento urbano.
| Área verde do Parque dos Bilhares que está sendo destruida pela SEMMAS com o aval do IPAAM- Imagem aérea da obra no Parque dos Bilhares (Composição: Lucas Oliveira/Cenarium) |
O que agrava ainda mais a situação é que, em total desrespeito à Resolução 15/2013 do Conselho Estadual do Meio Ambiente do Amazonas, que define claramente as atividades que a SEMMAS pode licenciar, o IPAAM permitiu que a SEMMAS se autolicenciasse para a execução desse projeto.
A Resolução 15/2013/CEMAAM estabelece que a SEMMAS não tem competência para licenciar atividades dessa magnitude cabendo somente ao IPAAM, o que coloca em xeque a legalidade do processo e evidencia uma falha no controle ambiental e na transparência das decisões tomadas pelos órgãos responsáveis, dando indícios que houve um esquema entre os servidores do IPAAM e da SEMMAS para isso acontecer.
IPAAM E A OPERAÇÃO EXPURGARE: ENVOLVIMENTO EM ESQUEMA CRIMINOSO
Não podemos deixar de mencionar que o IPAAM foi recentemente alvo da operação Expurgare da Polícia Federal em dezembro de 2024, que revelou um esquema criminoso envolvendo servidores do próprio IPAAM
A investigação constatou que uma organização criminosa contava com a participação de servidores ocupantes de cargos estratégicos e de direção no IPAAM.
Esses servidores utilizavam suas posições para facilitar práticas ilegais, como a emissão de licenças ambientais fraudulentas, desembargos, suspensão de multas e autorizações irregulares para desmatamento.
Com isso, surge a dúvida: a liberação da obra da SEMMAS, que envolve a destruição de uma área verde no Parque dos Bilhares, pode ser parte desse esquema criminoso.
A falta de transparência e a possível conivência de órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental deixam a população e especialistas em meio a uma sensação de desconfiança e alerta sobre os reais interesses por trás do projeto.
O PAPEL DO IPAAM E A NECESSIDADE DE UMA MAIOR TRANSPARÊNCIA
É crucial que os órgãos ambientais, como o IPAAM, revelem mais transparência em suas ações e decisões.
A proteção do meio ambiente não deve ser seletiva e precisa considerar tanto os pequenos produtores quanto os grandes empreendimentos que, muitas vezes, promovem impactos ambientais irreversíveis.
A falta de um equilíbrio nas políticas ambientais prejudica a população local, que paga o preço de uma fiscalização severa, ao mesmo tempo em que grandes projetos de destruição de áreas verdes como o da SEMMAS são liberados.
O DESAFIO DE CONCILIAR DESENVOLVIMENTO E SUSTENTABILIDADE
O caso do IPAAM, que pune agricultores familiares e ao mesmo tempo permite projetos que destroem áreas verdes como o da SEMMAS, levanta um debate importante sobre a gestão ambiental e o modelo de desenvolvimento adotado no Amazonas.
O desenvolvimento urbano é necessário, mas ele não pode ocorrer a qualquer custo.
A proteção ambiental deve ser prioridade, sem deixar de lado as necessidades da população local, especialmente daqueles que dependem diretamente dos recursos naturais para sua sobrevivência.
Precisamos de uma gestão mais justa e equilibrada, onde as políticas de preservação e os direitos dos agricultores familiares sejam respeitados, sem que haja um favorecimento ou negligência em relação ao meio ambiente em nome do desenvolvimento.
É fundamental que se investigue mais a fundo as ligações entre as decisões do IPAAM, a liberação de projetos e as possíveis práticas ilícitas que comprometem a integridade do meio ambiente e dos cidadãos.
terça-feira, 25 de março de 2025
PESQUISADORES CRIAM "SOFTWARE DA PODA" PARA REDUZIR RISCO DE QUEDA DE ÁRVORES EM ÁREAS URBANAS
Técnica usa equipamento a laser para fazer escaneamento e imagens tridimensionais; algoritmo otimiza o corte, buscando manter o equilíbrio e a saúde da árvore
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) criaram um software que orienta com precisão a poda de árvores em áreas urbanas, reduzindo o risco de queda. Com os eventos climáticos mais frequentes e extremos, os temporais em grandes cidades têm derrubado um maior número de árvores, provocando perdas econômicas e de vidas.
Imagem da árvore escaneada no campus da USP. — Foto: Divulgação
Somente em São Paulo, após fortes chuvas na capital, a prefeitura contabilizou em um único dia deste mês (12 de março) 330 quedas – em uma delas um carro foi atingido, matando o motorista. Por ano, estima-se que o município tenha cerca de 2 mil quedas de árvores urbanas – excluindo parques públicos e áreas de proteção ambiental.
Segundo os cientistas, o primeiro passo é fazer um escaneamento das árvores, com o uso de equipamento a laser, para captar em pontos diferentes imagens tridimensionais que são colocadas em um modelo computacional. Para fazer a modelagem, o grupo desenvolveu uma combinação de software e chegou a um “algoritmo de poda”, com o objetivo de manter o equilíbrio da árvore.
O trabalho une biologia, matemática e mecatrônica, e está sendo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP), do Instituto de Biociências (IB-USP) e da Escola Politécnica (Poli-USP) no âmbito do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito (RCGI), um Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) constituído por FAPESP e Shell, com apoio de diversas outras empresas, voltado a estudos avançados em bioenergia, agricultura e ciências ambientais para mitigar efeitos das mudanças climáticas.
“As árvores, assim como outras formas na natureza, são estruturas otimizadas, que utilizam apenas o material essencial em sua configuração física. Se você faz uma poda errada, pode provocar fraqueza nessa estrutura. Com o software que desenvolvemos, conseguimos avaliar as deformações, até mesmo a deflexão das árvores devido aos ventos. Com isso, é possível ter um diagnóstico e orientar a poda de forma mais precisa”, diz à Agência FAPESP Emílio Carlos Nelli Silva, professor do Departamento de Engenharia Mecatrônica e Sistemas Mecânicos da USP e vice-diretor científico do RCGI.
Nas primeiras análises, realizadas no campus da USP em São Paulo, os pesquisadores fizeram uma poda de até 20% da copa com base no algoritmo e conseguiram manter o equilíbrio da árvore. Em outro ensaio, com outro tipo de corte, houve aumento dos pontos de fraqueza, com mais possibilidade de queda.
Normalmente, a poda em área urbana é realizada dentro de um plano de manejo ambiental dos municípios para compatibilizar a estrutura do vegetal ao convívio humano, com foco na saúde da árvore, mantendo sua resiliência e equilíbrio. A definição de como será a poda em cada árvore é feita por técnicos ou profissional responsável pelo serviço, no limite de 30% da copa.
“O ser humano não tem a capacidade de fazer essa poda tão precisa como conseguimos usando o escaneamento com algoritmo. Ainda não calculamos o porcentual que o software é capaz de evitar de queda de árvores com a poda mais precisa, mas conseguiremos em breve”, afirma Marcos Buckeridge, professor do Departamento de Botânica do IB-USP e vice-diretor do IEA.
E complementa: “Essa ferramenta vem de uma sequência de trabalhos, que agora conta também com a equipe da engenharia. O próximo passo é uma aproximação com a meteorologia para estudar a velocidade e o direcionamento dos ventos em tempestades. Isso nos ajudará a detectar o lado mais fraco da copa ou se a árvore está em uma área de canalização de vento. Assim, poderemos melhorar a poda e evitar plantio em locais de vento mais forte”.
Pesquisa publicada no ano passado mostrou que as podas drásticas, juntamente com o estado da madeira e o estrangulamento da raiz pelas calçadas, podem ser usadas como preditores de queda de árvores em cidades (leia mais em: agencia.fapesp.br/50618).
Entre os principais fatores em áreas urbanas que influenciam a queda estão a altura dos prédios no entorno, a idade do bairro, a largura da calçada e a altura da árvore. Com a verticalização, elas enfrentam condições desfavoráveis nos chamados “cânions urbanos”, ou seja, fileiras contínuas de edifícios altos que alteram a velocidade do vento local, a dispersão da poluição e os padrões de iluminação e microclima, contribuindo com a queda precoce (leia mais em: agencia.fapesp.br/39341).
‘A maçã de Newton’
Nelli Silva conta que a ideia do software surgiu durante um almoço com Buckeridge em um restaurante de São Paulo – o local abriga em seu interior uma centenária Figueira-de-bengala (Ficus benghalensis), cujo plantio é estimado na década de 1890. Do gênero Ficus, ela tem altura de cerca de 6 metros, com diâmetro da copa de aproximadamente 46 metros.
“Sabia que o Buckeridge trabalhava com essa linha de estudo e eu sempre tive curiosidade sobre as árvores, com estruturas complexas e difíceis de modelar em computador. Então pensamos: por que não usar um algoritmo para restaurar a otimização dessas estruturas por meio da repoda? Foi aí a inspiração da pesquisa”, relembra o professor, especialista em mecânica computacional.
Nelli Silva explica que a natureza frequentemente inspira estudos de otimização estrutural e frutos como a maçã podem servir de modelo para análises. “O formato da maçã é uma estrutura que possui a menor tensão mecânica sujeito a peso próprio. Ela tem uma massa apoiada em um ponto que é o caule. Partimos da ideia de que, se é possível analisar a estrutura otimizada da maçã, seria também com a árvore.”
Na ciência, uma história famosa envolvendo o fruto e que até hoje rende pesquisas e dúvidas é a do físico inglês Isaac Newton, que teria concebido a Lei da Gravitação Universal ao observar a queda de uma maçã de sua árvore. A lei estabelece que a força de atração de dois corpos deve ser proporcional ao produto de suas massas dividido pela distância entre eles ao quadrado.
Próximos passos
Ao fazer a modelagem a partir das imagens obtidas pelo equipamento a laser, é possível chegar a uma espécie de “arquitetura” da árvore – etapa que contou com a colaboração do professor da USP Marcelo Zuffo, um dos pesquisadores do projeto “CID-SP EMERGÊNCIAS: Centro de Inteligência de Dados em Saúde Pública”, apoiado pela FAPESP por meio do programa Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCD-SP).
Nessa primeira etapa, as análises foram realizadas pela copa. O grupo pretende agora inserir informações das raízes. “A metodologia abre uma perspectiva para fazermos novas simulações computacionais, customizadas para cada espécie e com outros tipos de dados. O método é escalável para mapear árvores de uma cidade toda”, conta Nelli Silva.
De acordo com Buckeridge, algumas prefeituras, entre elas a de São Paulo, já procuraram o grupo para viabilizar o uso do software. “Estamos conectando a ciência ao desenvolvimento da tecnologia para enfrentarmos as mudanças climáticas. Queremos aumentar a velocidade de análise do software e reduzir o custo. Isso abre caminho para startups que queiram ajudar no serviço. Quanto mais árvores tivermos melhor será a resiliência das cidades às mudanças climáticas”, completa o vice-diretor do IEA, que integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) do Bioetanol, financiado pela FAPESP e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Procurada pela reportagem, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) da Prefeitura de São Paulo informou estar “em tratativas para conhecer o software e avaliar sua aplicabilidade nos serviços de manejo arbóreo da cidade” dentro do compromisso com a adoção de tecnologias que aprimorem a gestão ambiental.
A secretaria diz que pretende analisar de que forma a ferramenta pode contribuir com a poda preventiva e a redução do risco de queda de árvores, especialmente durante temporais
Fonte: .Por Luciana Constantino, da Agência Fapesp
sexta-feira, 21 de março de 2025
VEREADOR ZÉ RICARDO APOIA LUTA PELA PRESERVAÇÃO DO PARQUE DOS BILHARES CONTRA A DESTRUIÇÃO DA ÁREA VERDE FEITA PELA SEMMAS
Em um momento decisivo para a preservação ambiental da cidade de Manaus, o vereador Zé Ricardo inicia o apoio na defesa de uma causa importante: a proteção da área verde do Parque dos Bilhares, que vem sendo destruída pela SEMMAS, Secretaria de Meio Ambiente, que deveria proteger as áreas verdes de Manaus, mas resolve destruir.
Há cerca de mais de 1 ano, foi denunciado a destruição da área verde do Parque dos Bilhares para a construção da sede da SEMMAS (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade), que visaria o uso do espaço para um edifício de 4 andares, estacionamento para mais de 100 carros, arruamento dentro do parque e o corte de mais de 100 árvores, conforme consta no projeto que faz parte da denuncia.

Área verde do Parque dos Bilhares que está sendo destruída pela SEMMAS
Membro da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Manaus, o vereador Zé Ricardo foi procurado pelo movimento SALVE O PARQUE DOS BILHARES, e se mostrou ativamente contra essa medida de destruição realizada pela SEMMAS, levantando questões sobre os impactos negativos para a biodiversidade local, qualidade de vida dos cidadãos e o legado verde que o Parque dos Bilhares representa para a comunidade. Local.
O QUE ESTÁ EM JOGO
O Parque dos Bilhares é um dos poucos espaços verdes na área urbana que ainda preservam um ecossistema natural em meio à urbanização crescente de Manaus. A destruição da área para a implementação do projeto de construção da sede da SEMMAS ameaça não apenas a flora e fauna local, mas também a qualidade do ar e o lazer da população que depende dessa área para atividades ao ar livre.
A SEMMAS, ao propor destruir essa área verde, ignora os riscos que essa intervenção pode trazer para o equilíbrio ecológico da região, além de desconsiderar a importância histórica e cultural do Parque, que é um Parque Temático que recorda a Manaus Belle Epoque com suas instalações e quiosques no estilo da época e a ponte dos bilhares que complementa o local, além de ser um parque ecológico que serve de refúgio para a fauna local e preservação de algumas espécies vegetais
O APOIO DO VEREADOR ZÉ RICARDO
Zé Ricardo, como membro ativo da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Manaus, pode ser um firme defensor da preservação desse patrimônio natural, podendo se posicionar contra qualquer projeto que ponha em risco o verde que ainda temos na cidade e destacar que a manutenção de áreas verdes é fundamental para a saúde e o bem-estar da população. Além disso, pode alertar para a necessidade de promover uma cidade mais sustentável, alinhada com os princípios de preservação ambiental e os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU.
Nesta sexta feira, 21 de março, o Vereador Zé Ricardo visitou o Ministério Público do Amazonas, acompanhado por moradores do entorno do Parque dos Bilhares, para buscar informações sobre a atuação do órgão no caso, click e veja o vídeo abaixo.
VISITA DO VEREADOR ZÉ RICARDO NO MPAM (CLICK NO VIDEO E ASSITA)A visita foi uma ação estratégica para entender como o Ministério Público pode contribuir na proteção do Parque e para garantir que as autoridades competentes atuem em defesa da preservação ambiental e da qualidade de vida dos moradores da região.
O PAPEL DA COMUNIDADE E DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
O vereador também faz um apelo à comunidade local e os movimentos sociais, convidando os cidadãos a se engajarem nessa causa. A preservação do Parque dos Bilhares não é apenas uma responsabilidade das autoridades públicas, mas de todos aqueles que reconhecem o valor da natureza para a nossa qualidade de vida.
A luta pela preservação do Parque dos Bilhares é uma batalha pelo futuro da cidade de Manaus e pela qualidade ambiental que queremos para as próximas gerações. A mobilização da população, aliada ao esforço do vereador Zé Ricardo, que está diretamente envolvido nas questões ambientais da cidade e com o apoio de órgãos como o Ministério Público, pode fazer toda a diferença na proteção desse espaço verde vital para a cidade de Manaus.
sábado, 15 de março de 2025
EM 12 ANOS, APENAS 3% DAS ANÁLISES DO CADASTRO AMBIENTAL RURAL - CAR FORAM CONCLUÍDAS , APONTAM DADOS
Conhecido como CAR, o Cadastro Ambiental Rural, é o documento que certifica que proprietários estão regulares com o Código Florestal. O Estudo foi realizado pela Climate Policy Initiative (CPI), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Apenas 3,3% das análises do Cadastro Ambiental Rural (CAR) foram concluídas desde a implementação da lei, em 2012, aponta relatório do Climate Policy Initiative (CPI), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio),
Por que isto é um problema?
O cadastro serve para o governo verificar se os donos de terras estão cumprindo as regras do Código Florestal, que barra o desmatamento ilegal e exige a preservação de vegetação nativa.
Os proprietários que não possuem o CAR podem ter a sua imagem como empresa rural manchada, uma vez que o documento comprova a sua responsabilidade ambiental, principalmente no que se diz respeito à adequação a mercados internacionais.
Apesar de se tratar de uma lei federal, a responsabilidade das análises é dos estados e não existe um padrão: em alguns estados há a análise automatizada e em outros, funcionários verificam caso por caso. Em pelo menos 3 estados, não existe nenhum CAR finalizado. Saiba mais abaixo.
Desde 2012, foram feitas 7,65 milhões de inscrições no CAR e, até novembro, somente 252.144 análises foram finalizadas. Ou seja, não foi possível checar se os proprietários passaram informações verdadeiras.
No cadastro os donos precisam informar, por exemplo, se há rios na propriedade, quanto da área foi preservada, quanto é de lavoura, entre outros dados que precisam ser documentados por mapas ou plantas, por exemplo.
Pequeno avanço em 1 ano
Apesar do baixo número de cadastros concluídos, houve uma alta de 30% em relação ao número de análises finalizadas apontado no relatório anterior, divulgado em dezembro de 2023.
O levantamento de 2024 também mostra que, pela primeira vez, todos os estados iniciaram o processo de análise dos cadastros.
Cerca de 1,1 milhão de CARs já tiveram a análise iniciada, enquanto o restante das inscrições não começou a ser verificado.
A situação varia de acordo com cada estado.
📝Análise iniciada: São Paulo é o estado com mais inscrições em avaliação: são 388 mil, cerca de 90% do total dos cadastros no estado. O Pará aparece em segundo lugar, com 236 mil análises iniciadas, correspondentes a 72% dos cadastros da localidade.
Por outro lado, 9 estados têm apenas 1% ou menos das suas inscrições em fase de análise. São eles: Roraima, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Tocantins.
| Fonte: Climate Policy Initiative (CPI), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) |
Análise finalizada: no Rio Grande do Sul, em Roraima e em Pernambuco não tem nenhum CAR concluído.
Entre os estados onde isso já aconteceu 12, além do Distrito Federal, não ultrapassaram 1% do total dos cadastros. É o caso de Amazonas, Tocantins, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e o Piauí.
AMAZONAS
Espírito Santo e São Paulo são os estados com o maior número de cadastros com análises finalizadas, 78 mil e 77 mil, respectivamente.
Quais são os obstáculos
Apesar de ter sido lançado há 12 anos, o CAR ainda enfrenta muitas dificuldades na implementação. Confira a seguir algumas delas.
➡️ Falta de comunicação com o proprietário: após os proprietários fazerem a inscrição no CAR, os estados analisam as informações, para verificar se o que foi dito corresponde à realidade. Depois a análise é devolvida ao dono da terra que pode concordar ou contestar a conclusão.
O problema é que muitos produtores acabam não verificando se houve um retorno referente ao seu cadastro e, sem a confirmação deles, o estado não pode concluir a análise, explica Cristina Leme, gerente sênior de pesquisa do CPI/PUC-Rio.
Ela reforça que seria importante ter uma campanha para que os proprietários revisitem os seus cadastros, a exemplo do que aconteceu no passado para incentivar a inscrição.
O estado de São Paulo, por exemplo, conseguiu avançar nas conclusões depois de instaurar uma lei que permite que a confirmação do dono da área seja exigida apenas quando há irregularidades. Caso contrário, o sistema já considera a análise finalizada.
➡️ Falta de base de dados: um dos pontos importantes para a análise é o estado ter mapas que mostrem como era a área de cada propriedade até 2008, quando se iniciou o Código Florestal. Isso é fundamental para a checagem das informações apresentadas pelos donos de terras.
No início do CAR, reunir essas informações foi um dos pontos que retardou o processo e ainda hoje é uma questão a ser melhorada. É preciso ter mais tecnologia para obter imagens de satélite, com boa resolução, assim sendo possível entender onde houve ou não desmatamento ilegal, explica Joana Chiavari, diretora de pesquisa do CPI/PUC-Rio.
"Os produtores não têm necessariamente acesso às mesmas bases que hoje os estados têm para fazer essa análise. Então, às vezes, ele declarou informações inconsistentes, não por má-fé, justamente porque ele não tinha como declarar corretamente, porque não tinha acesso a uma boa base", explica Leme.
O Mato Grosso, por exemplo, lançou o CAR Digital. Se trata de um sistema que compara com os próprios mapas a área que o produtor cadastrou e coloca na inscrição as informações que faltaram. Caso seja detectada alguma inconformidade com a lei, o proprietário pode contestar usando provas de que o sistema está errado.
➡️ Ausência de equipe e tecnologia: para que as análises aconteçam é importante que haja equipes que as realizem, bem como tecnologias que agilizam o processo. Para isso, os estados precisam de recurso para investimento.
Nos locais onde houve um grande avanço das análises, as pesquisadoras observaram justamente uma consolidação destes dois pontos.
"A gente observa que os estados que mais avançam nas análises são aqueles que têm múltiplas estratégias, ou seja, uma equipe técnica dedicada e, muitas vezes, a terceirização da análise com consultoria", diz Chiavari.
➡️ Embate de leis: estados que fazem parte do bioma Mata Atlântica enfrentam um problema de legislação. Comparada ao Código Florestal, a Lei da Mata Atlântica possui regras mais rigorosas em relação ao desmatamento, diz Cristina Leme. Essa lei entrou em vigor dois anos antes do Código Florestal, que regulariza todos os biomas.
Por isso, iniciou-se o debate de o que seria exigido para a regularização do CAR: que o proprietário estivesse em dia apenas com o Código Florestal ou preservasse segundo os parâmetros da Lei da Mata Atlântica.
Como fiscalização do CAR é feita pelos estados, cada um acaba decidindo o que deseja aplicar. No Paraná, ficou-se estabelecida a década de 90 como ano-base para analisar se a área foi desmatada ou não.
No estado, por exemplo, uma medida judicial paralisou por um ano as análises do CAR. A decisão de qual data será utilizada ficará para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Caso prevaleçam as regras da Mata Atlântica, os proprietários precisariam restaurar as áreas, ainda que estivessem em conformidade com o Código Florestal (que estabelece 2008 como parâmetro para preservação), explica Leme.
Fonte:Por Vivian Souza, g1
terça-feira, 11 de março de 2025
SEMMAS RETOMA OBRA QUE DESTROI ÁREA VERDE NO PARQUE DOS BILHARES E PODERÁ SER ALVO DE DENUNCIAS A ORGANISMOS INTERNACIONAIS POR DESTRUIÇÃO AMBIENTAL EM MANAUS
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Manaus(SEMMAS) retomou a execução da obra de construção de sua sede que ameaça a integridade ambiental da área verde do Parque dos Bilhares, um dos pequenos pulmões verdes da cidade de Manaus.
A intervenção em uma área verde do Parque dos Bilhares com a tentativa de construção de um prédio de 4 andares, estacionamento para mais de 100 carro e arruamento dentro do Parque dos Bilhares tem gerado crescente preocupação entre ambientalistas e moradores, que temem a destruição irreversível de um espaço essencial para a qualidade de vida e o equilíbrio ecológico local.
Obra no Parque dos Bilhares que já destruiu parte de área verde do ParqueVIOLAÇÃO DO ART 37 DO CÓDIGO AMBIENTAL DE MANAUS
O Parque dos Bilhares é uma área de relevante importância ambiental de Manaus, e está sendo alvo de uma intervenção da SEMMAS que não respeita as diretrizes estabelecidas pelo Código Ambiental de Manaus.
O Artigo 37 do Código Ambiental da cidade define de maneira clara as finalidades de uma área verde, que é o Parque dos Bilhares, conforme a própria SEMMAS reconhece em parecer jurídico, estabelecendo que essas áreas devem ser preservadas para a melhoria da qualidade do meio ambiente e o bem-estar da população de Manaus.
No entanto, a retomada da obra pela SEMMAS contraria essas normas, colocando em risco a biodiversidade local e o ecossistema da região com a derrubada de árvores, e cimentação do solo e criando mais uma ilha de calor em Manaus.
VIOLAÇÃO DOS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEIS 13 E 15
Além de violar a legislação municipal, a ação da SEMMAS também representa uma clara violação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, em especial os ODS 13 e 15.
O ODS 13 trata da ação contra a mudança global do clima, enquanto o ODS 15 aborda a vida terrestre e a preservação dos ecossistemas.
A destruição de uma área verde tão significativa compromete diretamente o esforço global para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e preservar a biodiversidade, que são fundamentais para o equilíbrio ecológico e a sustentabilidade a longo prazo.
RETOMADA DA OBRA E LIMINAR QUE CONTRADIZ A REALIDADE DOS FATOS
A obra, que se encontrava parada, agora retoma com a justificativa de uma liminar que contradiz a realidade dos fatos alegando que não afetara as áreas de uso publico no parque, quando na realidade já foram destruídas parte da pista de caminhada/ciclovia, bicicletário, pracinha, área de treino funcional, área de piquenique e recreação,
Ainda não há sentença do processo que corre no Tribunal de Justiça do Amazonas que pode ainda tramitar no Supremo Tribunal Federal e no Conselho Nacional de Justiça, por inconsistências na liminar expedida pelo Juiz da Vara de Meio Ambiente.
As consequências dessa intervenção da SEMMAS para o meio ambiente podem ser devastadoras, afetando diretamente a vegetação, a fauna local e a qualidade do ar naquela região da cidade.
DENUNCIAS AOS ORGANISMO INTERNACIONAIS
Diante dessa situação alarmante, há uma crescente indignação que poderá se transformar em denuncias e pressão para que organismos internacionais, como a ONU no Brasil, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o governo Alemão, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o governo dos Estados Unidos — que financiam programas ambientais no Brasil — sejam acionados para tomar conhecimento da destruição ambiental que a SEMMAS está fazendo e os impactos ambientais dessa obra.
Esses organismos internacionais, que têm sido parceiros estratégicos da SEMMAS no financiamento de projetos de programas de preservação ambiental, podem desempenhar um papel crucial para ajudar a evitar danos irreparáveis que a SEMMAS está fazendo em uma área verde de Manaus.
O PAPEL DA SOCIEDADE NAS DENUNCIAS
É imprescindível que a sociedade se mobilize para exigir que as leis ambientais sejam respeitadas e que a preservação de áreas verdes como o Parque dos Bilhares seja prioridade nas políticas públicas ambiental.
A avaliação dos seus impactos ambientais são essenciais para paralisar a obra e garantir que os danos ao meio ambiente e à qualidade de vida dos cidadãos Manauaras não sejam irreversíveis. Um abaixo assinado com mais de 3 mil assinaturas deverá compor o dossiê da denuncia, caso a obra não seja definitivamente paralisada..
ÁREAS VERDES, MESMO PEQUENAS, MELHORAM QUALIDADE DO AR DE CIDADES
domingo, 26 de janeiro de 2025
O SISTEMA CREA/CONFEA É UM DOS PIORES NA FALTA DE TRANSPARÊNCIA DE GASTOS SEGUNDO APURAÇÃO DO TCU
Quando falamos em gestão de recursos públicos, a transparência deveria ser a base de toda administração. A falta de transparência impacta diretamente a confiança da população e a eficiência das ações de controle. Enquanto os CREAs lutam para atingir padrões mínimos de transparência, outros conselhos demonstram que é possível fazer diferente.
Transparência: Um Pilar Fundamental Negligenciado pelos CREAs
O Sistema de Engenharia e Agronomia, parece falhar gravemente nesse quesito. Apesar de arrecadar valores impressionantes – como os R$ 1,7 bilhão registrados em 2022 – o Conselho de Engenharia e Agronomia ocupa apenas o 24º lugar no ranking de transparência, apurado no portal do TCU, deixando claro que muito precisa ser feito para corrigir esse problema.
É questão de baixa transparência e de responsabilidade com os recursos arrecadados. Os conselhos profissionais, como o CREA, lidam com quantias vultosas que são provenientes de contribuições obrigatórias dos profissionais. Com uma receita superior à de muitos Ministérios e Estados Brasileiros, a falta de dados claros e acessíveis sobre como esses recursos são utilizados gera desconfiança e prejudica a fiscalização social.
| Conselho de Engenharia e Agronomia ocupa apenas o 24º lugar no ranking de transparência, apurado no portal do TCU |
A falta de transparência impacta diretamente a confiança da população e a eficiência das ações de controle. A ausência de informações em padrão aberto nos portais dos conselhos torna quase impossível que a sociedade e o profissional acompanhem ou questionem como o dinheiro está sendo aplicado. Deixando o sistema vulnerável às práticas obscuras, dificultando o controle e aumentando o risco de desvios.
Contraste com Outros Conselhos
Enquanto os CREAs lutam para atingir padrões mínimos de transparência, outros conselhos demonstram que é possível fazer diferente. O Sistema de Contabilidade, por exemplo, lidera o ranking ao publicar quase 100% das informações exigidas pela Lei de Acesso à Informação (LAI). Isso é uma questão de conformidade com a lei, facilitando o controle social.
É urgente que os CREAs implemente um plano de dados abertos que seja integrado e eficiente. Essa é a uma exigência do Tribunal de Contas da União (TCU), Além, de responsabilidade para com os profissionais que contribuem para o sistema. A falta de transparência é uma questão ética que precisa ser enfrentada com seriedade.
Para que o CREA e outros conselhos avancem, é fundamental que a sociedade exija mais clareza e responsabilidade na gestão dos recursos. O painel criado pelo TCU é uma ferramenta poderosa que permite visualizar e comparar dados, mas depende da adesão dos conselhos para ser realmente eficaz. Somente com a pressão popular e o compromisso dos gestores será possível mudar essa realidade.
Em tempos em que a transparência é uma exigência cada vez maior, o CREA tem a chance de transformar sua gestão e mostrar que é possível unir responsabilidade e eficiência. Por enquanto, infelizmente, está longe de ser um exemplo a ser seguido.
click e veja:
O QUE É JUSTIÇA CLIMÁTICA ?
Quando uma enchente ou uma seca atinge um local, nem todas as pessoas são afetadas da mesma forma. Algumas comunidades sofrem mais do que as outras, seja pelas suas condições prévias ou por sua capacidade de reação e adaptação a eventos extremos. Por isso é fundamental levar em consideração essas diferenças nas políticas e ações de combate aos impactos das mudanças do clima
Justiça climática é o conceito que reconhece a desigualdade socioeconômica como fator determinante na maneira como diferentes grupos ou comunidades sofrem os efeitos da crise climática.
"Isso significa que as soluções climáticas não devem apenas focar na redução de emissões, mas também precisam considerar as especificidades de cada grupo social, incluindo o combate ao racismo ambiental, a proteção de comunidades mais vulneráveis, e a questão territorial", afirma Rogger Barreiros, analista de Socioeconomia e Finanças do Clima do WRI Brasil.
O termo justiça climática é reconhecido por entidades como a ONU e o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).
No Brasil, o conceito foi incluído como visão de país para 2035 na nova Contribuição Nacionalmente Determinada, apresentada na COP29, e é um direcionador para a construção do Plano Clima que será lançado este ano.
Que grupos são mais vulneráveis às mudanças climáticas?
As mudanças afetam especialmente pessoas historicamente marginalizadas, como povos indígenas, quilombolas, comunidades periféricas e mulheres e crianças de forma geral.
"Esses grupos enfrentam desproporcionalmente os efeitos negativos das mudanças climáticas, como secas, enchentes, calor extremo e perda de recursos naturais, apesar de serem os menos responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa que causam essas mudanças", afirma Rogger, do WRI Brasil.
Na mesma linha, Flávia Martinelli, especialista em mudanças climáticas da WWF-Brasil, diz que pessoas brancas, ricas, sem deficiência, que possuem rede de apoio e que moram em áreas urbanas são as menos afetadas pela crise climática, enquanto pessoas pobres, não-brancas, que estão desempregadas ou possuem empregos informais, que dependem do transporte público, mães solos, idosos, crianças, pessoas com deficiência e indivíduos que fazem parte de comunidades locais e tradicionais são atingidos de forma mais dura pelos eventos climáticos extremos.
"Pessoas que moram em áreas de riscos geralmente estão ali porque foram marginalizados pela estrutura da cidade. Se uma chuva forte provocar um deslizamento e atingir a casa delas, elas correm o risco de perder tudo e não contam com segurança financeira para se reerguer, podendo se tornar ainda mais pobres", explica Flávia.
No Brasil, dados revelam que os impactos das mudanças climáticas são ainda mais severos para mulheres negras, indígenas e quilombolas, principalmente aquelas que vivem em comunidades rurais, pesqueiras, periféricas e favelas.
Esses grupos enfrentam desafios múltiplos, como falta de recursos, precariedade no acesso a serviços básicos e vulnerabilidades estruturais.
Rogger pondera que, apesar da conscientização sobre justiça climática ter crescido nos últimos anos, a discussão ainda está majoritariamente concentrada em grupos e pessoas de países desenvolvidos ou do chamado Norte Global.
"Isso é preocupante, porque esses grupos são historicamente os principais responsáveis pela crise climática e tendem a ser os menos vulneráveis aos impactos", afirma ele.
A crise climática piora a desigualdade já existente?
Sim, a crise climática agrava a desigualdade social. Segundo o 6º relatório de avaliação do IPCC, entre 3,3 e 3,6 bilhões de pessoas vivem em contextos de alta vulnerabilidade devido às mudanças do clima.
Essas populações estão concentradas em regiões com restrições de desenvolvimento, como África, Ásia, Américas Central e do Sul, pequenas ilhas e o Ártico.
Ainda de acordo com o órgão, inundações, secas e tempestades têm causado insegurança alimentar e hídrica, afetando desproporcionalmente povos indígenas, pequenos produtores e famílias de baixa renda. Entre
2010 e 2020, a mortalidade associada a esses eventos foi 15 vezes maior em regiões vulneráveis em comparação com regiões menos vulneráveis.
E no Brasil, como é a situação?
No Brasil, dados do S2ID (Sistema Integrado de Informações sobre Desastres ) mostram que, entre 1991 e 2023, cerca de 219,7 milhões de pessoas foram afetadas por desastres climáticos, o que inclui mortes, pessoas desalojadas, desabrigadas e que precisaram de assistência médica.
De 2020 a 2023, quase 78 milhões de indivíduos foram atingidos. Na década de 1990, esse número era de menos de 500 mil pessoas.
"Isso reforça a urgência de adotarmos ações concretas para limitar o aquecimento global e minimizar esses prejuízos. Uma verdadeira justiça climática exige soluções inclusivas, integradas e que beneficiem todos, especialmente os mais vulneráveis", diz Rogger Barreiros, do WRI Brasil.
Nesse contexto, o acordo de financiamento climático aprovado na COP29 estabelece que os países desenvolvidos devem destinar US$ 300 bilhões anuais até 2035 aos países em desenvolvimento, para ajudá-los a lidar com os impactos das mudanças climáticas..
Apesar de o acordo final ter ficado longe do esperado US$ 1,3 trilhão anual, o evento destacou a importância de garantir reparações, principalmente para as nações do Sul Global.
Como combater a crise climática de forma justa?
- Criar políticas de adaptação climática, ou seja, que preparem as cidades e o campo para que, quando ocorram eventos climáticos extremos, as populações não sofram tanto como nas chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul e as secas na Amazônia;.
- Implementar políticas públicas que sejam mais eficientes no auxílio às populações atingidas pelos eventos climáticos.
"O apoio que os governos oferecem costuma ser muito pequeno e insuficiente. Muitas vezes, quando é oferecida uma ajuda para moradia, as famílias são deslocadas para lugares longe de seus bairros de origem, desconectadas de serviços básicos de transporte e saúde, o que agrava a vulnerabilidade", diz Flávia Martinelli, do WWF-Brasil;.
- No Brasil, uma das estratégias para combater a crise climática é por meio do Plano Clima - Adaptação. Ele tem como objetivo orientar, promover e catalisar ações coordenadas para a adaptação de sistemas humanos e naturais, considerando estratégias de curto, médio e longo prazo, sob a ótica do desenvolvimento sustentável e da justiça climática;
- A transição energética, a bioeconomia e a restauração florestal podem gerar empregos verdes que ajudem a reduzir as vulnerabilidades e desigualdades sociais;.
- Outra estratégia é integrar as diferentes dimensões de justiça no processo. Por exemplo, a justiça distributiva busca uma distribuição mais equitativa dos recursos para prevenção e adaptação aos impactos climáticos. Já a justiça processual enfatiza a inclusão de todas as partes interessadas nas decisões climáticas, principalmente as mais vulneráveis.
A justiça de reconhecimento ressalta a importância de valorizar e respeitar as identidades, culturas e direitos de grupos historicamente marginalizados, enquanto a justiça retributiva se ocupa em responsabilizar aqueles que causaram danos ao meio ambiente e às comunidades.
Por: Bárbara Therrie
Colaboração para Ecoa, de São Paulo
Fonte: Rogger Barreiros, analista de Socioeconomia e Finanças do Clima do WRI (World Resources Institute) Brasil; Flávia Martinelli, especialista em mudanças climáticas da WWF (World Wide Fund for Nature)-Brasil..
domingo, 22 de dezembro de 2024
Belo Horizonte pretende plantar 50 mil árvores em 2025
A prefeitura de Belo Horizonte planeja plantar 50 mil árvores em 2025. A meta é reflexo do recorde batido em 2024, com o plantio de mais de 35 mil árvores.
Em 2025 o projeto é ampliar o número de áreas verdes com a implementação dos parques Ciliar do Onça e Aterro, local do antigo aterro sanitário da cidade.
A Avenida Antônio Carlos vai receber a segunda fase do corredor verde com o plantio em passeios e canteiros. Também foi estabelecida a meta de um corredor verde por ano.
Agenda Verde de Belo Horizonte para 2025:
Plantio de 50 mil árvores
Segunda fase do corredor verde da Avenida Antônio Carlos
Implementação de 20 miniflorestas
Novo Parque Aterro no local do antigo aterro sanitário na BR-040
50 refúgios climáticos e 100 novos jardins de chuva
Instalação de cinco novos meliponários, locais de colmeias da abelhas nativas sem ferrão
Agenda verde de 2024:
A arborização bateu o recorde de plantios com cerca de 35 mil árvores. Um “Arvorômetro” foi criado para permitir que todos possam acompanhar os plantios feitos. A ferramenta se encontra na página da Secretaria do Meio Ambiente, dentro do Portal da PBH, na aba “Arvorômetro”.
Foram entregues 12 miniflorestas, uma a mais que a meta inicial para o ano de 2024. As miniflorestas têm o papel de melhorar o microclima da região, absorvendo a água da chuva, redução na emissão de gases de efeito estufa, melhorando a qualidade do ar, além de contribuir para a expansão da biodiversidade no local.
A gestão municipal ampliou o número de parques sob sua gestão com a criação de três novos espaços verdes, o parque Colinas, Cerrado e Mantiqueira.
As melhorias ambientais trouxeram o título de “Cidade Árvore do Mundo” pelo programa Tree Cities Of The World, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que reconhece municípios com liderança em função de práticas arbóreas, como o manejo e preservação de árvores, florestas urbanas e espaços verdes.
Para o secretário de Meio Ambiente, Gelson Leite, 2024 foi um ano muito positivo, marcado pela participação social. “A maior parte dos nossos resultados foi obtida graças ao empenho e à competência de nossos técnicos, mas também pela importante presença dos diversos segmentos da sociedade nas discussões. Dessa forma, vamos criando políticas públicas com a marca do belo-horizontino, de quem vive e gosta da cidade”, afirmou.
Fonte: Alan Cardosoda CNN* , Em São Paulo
sexta-feira, 20 de dezembro de 2024
SERVIDORES DA SEMMAS: GUARDIÕES DO MEIO AMBIENTE OU APOIADORES DA DESTRUIÇÃO DE ÁREAS VERDES DE MANAUS ?
É com grande preocupação que em 2024 nos deparamos com uma situação alarmante envolvendo servidores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMMAS) de Manaus. O que parece ser uma decisão sem precedentes poderá resultar na destruição de uma área verde crucial para a cidade de Manaus: a área verde do Parque dos Bilhares.
Os Servidores da SEMMAS, ao invés de defenderem a preservação ambiental que deveria está em seu próprio DNA, estão propondo a construção de um edifício de quatro andares na área verde do Parque dos Bilhares, estacionamento para mais de 100 carros e arruamento dentro do Parque dos Bilhares. Este espaço verde, que deveria ser protegido e mantido como um refúgio para a natureza e para a população de Manaus, poderá ser irreparavelmente danificado.
O PROJETO DE CONSTRUÇÃO DA SEDE DA SEMMAS NO PARQUE DOS BILHARES
A proposta de construir um novo edifício para abrigar a sede da SEMMAS no Parque dos Bilhares é uma clara ameaça à biodiversidade local e à sadia qualidade de vida dos manauaras. O parque, um dos últimos refúgios de natureza no centro da cidade, é fundamental para o equilíbrio ambiental de Manaus e para o bem-estar da população local. A ideia de substituir esse refúgio natural por um edifício administrativo para a SEMMAS é um ataque direto ao meio ambiente e uma ameaça à saúde ecológica de Manaus.
UMA VIOLAÇÃO DE LEIS FUNDAMENTAIS DOS DIREITOS AMBIENTAIS
Este projeto não só coloca em risco a saúde ambiental da cidade, como também contraria diretamente legislações que visam a proteção e preservação das áreas verdes de Manaus.
Além de ser um ataque à biodiversidade local, essa proposta vai diretamente contra a legislação que rege as áreas verdes da cidade de Manaus.
O artigo 37 do Código Ambiental de Manaus é claro ao definir que as áreas verdes possuem finalidades específicas de preservação e uso público, para garantir qualidade de vida aos cidadãos Manauara. O Parque dos Bilhares é um exemplo perfeito desse tipo de área verde, e sua destruição para a construção de um edifício é uma flagrante violação dessa lei.
Mais ainda, essa proposta infringe o artigo 225 da Constituição Federal, que assegura o direito de todos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, essencial à sadia qualidade de vida. Ao permitir que uma área verde vital seja destruída para dar lugar a um prédio administrativo, esta sendo comprometido não apenas o presente, mas o futuro de nossas gerações.
Permitir que uma área verde essencial no meio urbano de Manaus seja destruída para atender a uma demanda administrativa é um atentado contra esse direito fundamental.
PARECER JURIDICO DA SEMMAS RECONHECE O PARQUE DOS BILHARES COMO UMA ÁREA VERDE
A SEMMAS emitiu um parecer jurídico reconhecendo oficialmente o Parque dos Bilhares como uma área verde e um parque urbano, com isso garante ter sua preservação e valorização dentro do espaço público.
Isso significa que o parque não só é reconhecido como um local de lazer, mas também como uma parte vital do patrimônio ambiental da cidade.
| Parecer Juridico da SEMMAS onde confirma que o Parque dos Bilhares é uma área verde |
Esse parecer tem grande relevância, pois fortalece a proteção legal do parque e ajuda a garantir que ele permaneça acessível para todos, preservando sua vegetação e biodiversidade. É um passo importante para assegurar que o parque continue a ser um refúgio verde em meio à urbanização crescente de Manaus.
SEMMAS E SERVIDORES NÃO RESPEITAM O CONCEITO DE PARQUE URBANO QUE É O PARQUE DOS BILHARES
De acordo com a legislação brasileira e com os princípios internacionais de planejamento urbano sustentável, um parque urbano deve ser compreendido como uma área destinada ao lazer, à recreação e à preservação ambiental. Esses espaços são fundamentais para a saúde e o bem-estar da população, funcionando como pulmões verdes em meio ao caos das cidades.
Além disso, parques urbanos devem ser preservados como locais para a biodiversidade, contribuindo para a mitigação dos impactos ambientais causados pela urbanização excessiva. A proposta de construção de um prédio e de um estacionamento dentro de uma área como o Parque dos Bilhares infringe diretamente essas diretrizes, colocando em risco não apenas a integridade do ecossistema local, mas também a qualidade de vida dos cidadãos que dependem desse espaço para atividades recreativas e de convivência.
SERVIDORES DA SEMMAS: GUARDIÕES DO MEIO AMBIENTE OU APOIADORES DA DESTRUIÇÃO DE ÁREAS VERDES DE MANAUS ? ?
O mais alarmante nesta história é o fato de que os próprios servidores da SEMMAS, que têm o dever de proteger e preservar o meio ambiente, estão apoiando uma medida tão prejudicial à natureza.
Em uma audiência pública realizada no Ministério Público em junho de 2024, esses servidores se posicionaram a favor da destruição da área verde do Parque dos Bilhares, como também sugeriram a construção da nova sede da SEMMAS nesse espaço verde de Manaus.
| Servidores da SEMMAS na audiência pública do Ministério Publico, onde se manifestaram a favor da destruição da área verde do Parque dos Bilhares para a Construção da Sede da SEMMAS (Fonte: MPAM) |
Esse comportamento é uma contradição grave. Como servidores de uma secretaria destinada a cuidar do meio ambiente, era de se esperar que fossem os primeiros a se opor a uma proposta tão prejudicial que vai destruir uma area verde de Manaus.
Seria mais sensato que esses servidores, cuja missão é proteger o meio ambiente, buscassem uma solução para a construção da nova sede da SEMMAS em outra localidade, sem destruir um bem natural tão precioso para a cidade.
A construção de um edifício em uma área verde é um desserviço à população de Manaus e coloca em risco a qualidade de vida de todos.
Os Servidores da SEMMAS deveriam ser os guardiões da natureza e não aqueles que buscam justificar a destruição de um patrimônio ambiental essencial para a cidade.
A RESPONSABILIDADE DOS SERVIDORES DA SEMMAS DE PROTEGER O MEIO AMBIENTE DE MANAUS
A cidade de Manaus precisa de servidores comprometidos com a preservação ambiental e com o bem-estar da população. Ao invés de apoiar esse projeto destrutivo, os servidores da SEMMAS deveriam ser os primeiros a sugerir alternativas para a construção da sede em locais que não envolvam a destruição de áreas verdes.
A preservação do meio ambiente deve ser uma prioridade, e é responsabilidade de todos, especialmente daqueles que ocupam cargos públicos na área ambiental, agir em defesa do que é certo.
Não se pode permitir que decisões irresponsáveis e contrárias às leis sejam tomadas sem a devida reflexão sobre suas consequências.
A destruição de áreas verdes não pode ser a solução para a falta de infraestrutura administrativa.
É essencial que a população de Manaus esteja atenta a essas decisões e exija que as leis ambientais sejam cumpridas.
A HORA DE AGIR É AGORA
Manaus não pode permitir que esse tipo de proposta avance. Devemos exigir que os servidores da SEMMAS revejam sua posição e proponham soluções alternativas para a construção de sua nova sede, sem a destruição de áreas verdes essenciais.
A preservação do Parque dos Bilhares é vital para o bem-estar da população e para o equilíbrio ecológico da cidade de Manaus.
A destruição dessa área verde representa um retrocesso na luta por um Manaus mais sustentável e saudável.
UNIDOS PELA DEFESA DA ÁREA VERDE DO PARQUE DOS BILHARES
Agora é o momento de nos unirmos para proteger o Parque dos Bilhares e garantir que ele continue sendo um espaço de lazer, convivência e equilíbrio ambiental para as futuras gerações de manauaras.
Não à Destruição da área verde do Parque dos Bilhares!
BANCO DO BRASIL FINANCIA OBRA DA SEMMAS QUE DESTROI ÁREA VERDE DO PARQUE DOS BILHARES EM MANAUS
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